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As origens da Tipografia

Assim como a bússola, o papel e a pólvora, a tipografia é uma invenção chinesa. Naquele país, a impressão xilográfica de imagens remonta ao final do século VI, bem como os livros tabulares, feitos a partir de blocos de madeira talhados com imagens e ideogramas. Os tipos móveis, blocos com um único caractere, inicialmente de terracota, depois em madeira e bronze, surgiram por volta de 1040. Essa forma de impressão, que permitia a reprodução de textos em larga escala, espalhou-se pela Coreia e Japão, permanecendo restrita ao território asiático. Na Europa, desde a Antiguidade, prevalecia o método da caligrafia – livros e pergaminhos eram reproduzidos pelos copistas, um processo artesanal lento e de pouca produtividade.
No Ocidente, a primeira forma de impressão também foi a dos livros tabulares. “Carimbos” que, em relação ao antigo processo das cópias manuscritas, significaram um avanço, pois permitiam ganho de tempo na impressão de muitas cópias. Contudo, havia um inconveniente: correções no texto exigiam a confecção de uma nova matriz. Na Idade Moderna, com a expansão das atividades mercantis, a Europa necessitava de uma técnica de impressão mais prática e rápida.
Solução que veio por volta de 1450, na Alemanha, com a invenção de Johan Gutemberg, a máquina impressora, uma adaptação das antigas prensas de parafuso, utilizadas na fabricação de vinho. Invenção revolucionária de um mecanismo que integrava todas as etapas do processo de impressão: tipos móveis em metal, matriz composta manualmente numa rama (moldura de ferro), prelo acionado por uma alavanca para registrar a tinta no papel. Era o prelo de platina, em que a folha, apoiada numa superfície plana – um quadro móvel, a platina –, comprimia o papel contra outra superfície plana (leito, cofre ou mármore) onde ficava a matriz.

Incunábulos
Desde o início, a impressão era praticada como uma verdadeira arte, apresentando um elevado padrão estético. As obras impressas entre 1455 e 1500, os chamados incunábulos, figuram hoje entre os bens mais valiosos das bibliotecas. Essas obras imitavam os manuscritos, algumas eram ilustradas com gravuras feitas em madeira ou metal, outras tinham as letras iniciais dos capítulos manuscritas artisticamente após a impressão.
Assim, foi necessário um prazo de meio século para que o livro impresso adquirisse características próprias, abandonando, paulatinamente, as do livro manuscrito. O primeiro, mais famoso e, certamente, mais valioso dos incunábulos é a Bíblia de Gutenberg, de 42 páginas, impressa também em pergaminho. Com uma edição estimada em 180 exemplares, conservam-se hoje apenas 48 exemplares dessa obra.
A máquina impressora de Gutemberg desencadeou a primeira produção em massa de livros na história da humanidade. Estes, que antes eram manuscritos, caros e produzidos em pequena quantidade, passaram a ser impressos em menos tempo, em grandes quantidades e com menor custo. Na era de Gutemberg, uma só prensa móvel podia produzir 3.600 páginas por dia, um grande avanço se comparado com as 40 cópias feitas manualmente por um escrivão.
Da Alemanha, as técnicas de impressão se espalharam por grande parte do continente europeu. Por volta de 1500, havia uma máquina de impressão gráfica em mais de 250 cidades. Em poucas décadas, toda a Europa Ocidental já havia produzido mais de 20 milhões de volumes impressos. No século XVI, com as prensas ainda mais difundidas, a produção de livros aumentou 10 vezes, atingindo um montante estimado entre 150 e 200 milhões de exemplares.

Texto elaborado pelo jornalista Luiz Carlos Machado, revisor da Divisão de Revisão do CEGRAF/ UFG.
Fonte: Programa Entrelinhas, TV Cultura SP. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=rQGsHMXWFjc>. Acesso em: 08 dez. 2014.